A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu que dois adolescentes, ambos de 15 anos, praticaram atos infracionais análogos ao crime de explosão após dispararem fogos de artifício contra corredores durante treinos na orla da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Os casos ocorreram em ao menos duas ocasiões, nos dias 26 de abril e 2 de maio deste ano, e chegaram a atingir um atleta de raspão.
Durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (25/5), a delegada Carolina Máximo, titular da 3ª Delegacia Especializada de Investigação de Ato Infracional, informou que a corporação pediu a internação dos adolescentes. A medida socioeducativa é a mais grave prevista pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pode durar até três anos.
De acordo com a delegada, os adolescentes utilizaram uma Saveiro prata, com placa de final 51, para circular pela Pampulha durante a madrugada e início da manhã. “Pelas investigações, restou demonstrado que eles deliberadamente miravam nos corredores, nos praticantes de atividade física ali. Portanto, havia um claro intento em ofender, minimamente, a integridade física deles”, afirmou.
Leia mais: Videomaker relata trauma após foguete explodir próximo ao rosto na Pampulha; veja o vídeo
Ainda segundo Carolina, o caso começou a ser investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil de Venda Nova após os próprios atletas denunciarem os ataques. A polícia identificou o veículo utilizado e chegou até o proprietário dele, irmão de um dos adolescentes. O homem foi chamado para prestar esclarecimentos e alegou desconhecer que o carro estava sendo usado nos horários dos ataques.
“Ele [adolescente irmão do proprietário do carro] teria admitido que estava pegando o veículo sem o conhecimento do irmão, buscado um amigo e pegado fogos de artifício na padaria desse irmão, sem que ele soubesse também, para que eles pudessem, numa brincadeira de muito mau gosto, assustar os corredores”, explicou a delegada.
Ainda conforme a Polícia Civil, os adolescentes afirmaram que já realizaram ações semelhantes em outras ocasiões, inclusive em Contagem, na Região Metropolitana de BH. A polícia pede que possíveis vítimas procurem as autoridades.
Corredores relataram medo
O caso veio à tona após um grupo de cerca de 25 corredores registrar boletim de ocorrência denunciando ataques sofridos durante um treino realizado nas proximidades do Mirante do Sabiá, na Pampulha. Na ocasião, o professor de educação física Flávio Lopes, responsável pelo grupo, relatou à reportagem de O TEMPO que um dos foguetes explodiu próximo aos atletas e lançou fragmentos na direção dos participantes. Um corredor foi atingido de raspão no ombro.
“Poderia ter matado alguém”, afirmou o treinador à época. A Polícia Civil chegou a tratar inicialmente os casos como tentativa de homicídio, devido ao risco provocado pelos artefatos. Na conclusão das investigações, porém, os adolescentes passaram a responder por ato infracional análogo ao crime de explosão.
Internação dependerá da Justiça
O procedimento já foi encaminhado à Vara Infracional da Infância e Juventude. Agora, caberá ao Ministério Público analisar o pedido de internação provisória dos adolescentes antes da conclusão do processo.
A delegada destacou que, embora utilizar fogos de artifício não seja crime por si só, a situação muda quando os artefatos são direcionados contra pessoas. “Com a finalidade de ofender a integridade física delas, aí sim a gente está falando de um crime”, destacou.
Segundo ela, o dono do veículo não será responsabilizado criminalmente neste momento, já que a investigação não encontrou indícios de que ele soubesse que o irmão utilizava o carro.
<!– –>
Fonte: "site:otempo.com.br "Belo Horizonte"" – Google Notícias
























Comentar